Eis a escalação:
Se eu pudesse escolher 10 desses nomes para compor parte das atrações de 2013 das edições sul-americanas, certamente seriam: The Walkmen, Black Sabbath, Jack White, Sigur Rós, The Shins, Frank Ocean, The Tallest Man on Earth, The Gaslight Anthem, M83 e Bear in Heaven. Desconsiderados estão os Black Keys e At the Drive-In, possíveis atrações em outros festivais brasileiros no segundo semestre de 2012.
A primeira edição do Lollapalooza no Brasil
2012/04/17
O fim de semana da páscoa de 2012 viu a festejada estreia do Lollapalooza em São Paulo. Se do lado logístico houve um considerável número de problemas, musicalmente o festival foi bastante coeso. A acessibilidade via transporte público do evento era razoável: uma estação de metrô (de uma linha que se conectava com outras linhas) chegava até a aproximadamente 600 metros de um dos portões do festival. A ida para o festival desse jeito funcionava razoavelmente bem, mas a volta, pelo número colossal de pessoas tentando fazer uso do mesmo serviço ao mesmo tempo, foi caótica. A Aglomeração nas proximidades da estação de metrô Butantã fizeram com que a polícia a fechasse antes mesmo de seu horário previsto de funcionamento. Mesmo no segundo dia, quando houve 15 mil presentes a menos (60 mil contra 75 mil do sábado), o problema foi recorrente. Musicalmente, o que segue abaixo é o resultado de escolhas para que quase sempre privilegiaram um show inteiro em detrimento de ver um pedaço de apresentações simultâneas.
Das bandas que surgiram na primeira metade da década (20)00, Band of Horses e TV on the Radio certamente estão entre minhas favoritas e meu entusiasmo para essas apresentações era enorme. Logo ao subir no palco, Ben Bridwell introduz sua Band of Horses e logo pega uma gaita para iniciar o show com a balada “For Annabelle”. Se no último disco da banda, Infinite Arms, a voz de Ben perdeu seu agudo característico, ao vivo ela continua soando daquele jeito estridente dos primeiros álbuns. A banda segue com “The First Song” e Ben se posiciona em sua pedal steel guitar. A alegria da banda é visível no palco e Ben faz questão de além de agradecer aos presentes, mencionar sua gratidão aos Foo Fighters (que indicaram a banda para tocar no festival) e Joan Jett. O setlist incluiu três canções de Infinite Arms (“For Annabelle”, “NW Apt.” e “Laredo”), cinco de Cease to Begin(“Is There a Ghost”, “Cigarettes, Wedding Bands”, “The General Specific”, “No One’s Gonna Love You” e “Islands on the Coast”) , quatro de Everything all the Time (“The First Song”, “The Great Salt Lake”, “Weed Party” e “The Funeral”) e a tracional cover de “Am I a Good Man?”, do Them Two. Todas as canções com levada mais lenta soaram bem, mas foram os grandes rocks da banda que realmente brilharam. Músicas como “The Funeral”, “Islands on the Coast”, “The Great Salt Lake” e “Cigarettes, Wedding Bands” parecem ter sido escritas para serem executadas ao ar livre. Antes do glorioso encerramento com “The Funeral”, Ben agradeceu novamente por poder tocar em nosso “bonito país” e disse que espera novo convite. Se a popularidade da banda é restrita no Brasil, em sua terra natal e na Europa a banda caminha para um tamanho bastante considerável e já fez turnês com nomes como Pearl Jam, Foo Fighters, My Morning Jacket e Kings of Leon (não que essa última mereça respeito).
Correndo para o palco Cidade Jardim, a TV on the Radio já mandava ver com “Halfway Home”. Apesar de ter mostrado seu enorme esforço ao vivo e real profissionalismo, a grande maioria do público, sedento pelos headliners Foo Fighters, ignorou a banda. Tunde Adebimpe soltou a voz, falou coisas em português (“E como que é? E o que mais?”) andou pela passarela e todo o conjunto da banda mostrou sua potência, mas a rapeize queria mesmo era o que tempo passasse rápido. O show apresentou canções de todos os álbuns da banda e ainda do EP Young Liars. Algumas canções soam ao vivo como verdadeiras porradas entre o proto e o pós-punk, caso de “Dancing Choose”, “The Wrong Way”, “Caffeinated Consciousness”, “Repetition” (tocada com o convidado Dave Navarro na guitarra) e a derradeira “Wolf Like Me”. A banda deu sangue, mas pouca gente percebeu. Os fãs dispersos pelo ambiente pelo menos curtiram.
Dadas a grande aglomeração de gente esperando os Foos e a mobilidade difícil pelos arredores do palco Cidade Jardim, decidimos não ver o show de Joan Jett. A banda é pontual e antes de começar sua esperada apresentação, Dave Grohl dá a tradicional corridinha pela passarela em frente ao palco. A banda vai em seguida mostrando hit atrás de hit, sempre acompanhada de berros e intensa agitação do público. Difícil sabe em qual das nove primeiras músicas (“All My Life”, “Times Like These”, “Rope”, “The Pretender”, “My Hero”, “Learn to Fly”, “White Limo”, “Arlandria” e “Breakout”) a plateia se empolgou mais. Suspeito que tenha sido em “My Hero”, mas vai saber. Depois dessa bateria inicial, a banda reduz um pouco a velocidade e volta a acelerar em “Monkey Wrench”. A primeira música do bis é uma agradabilíssima surpresa: “Enough Space”. Não que a música seja desconhecida, apenas me parece que não é tocada com tanta frequencia ao vivo há uns anos. Dave Grohl convida Joan Jett para acompanhar a banda em duas canções que ela popularizou (“Bad Reputation” e “I Love Rock ‘n’ Roll”) e tudo termina num energético take de “Everlong”. Pessoalmente acho que o começo do show foi o momento mais explosivo, mas o conjunto da apresentação foi ótimo. A voz de Grohl anda sendo questionada em função de um cisto na garganta, mas seus gritos característicos estavam todos lá. De longe a apresentação mais vigorosa do festival.
No dia seguinte, o domingo de páscoa, um número consideravelmente menor de pessoas no Jóquei, chegamos por volta de 15h e o show do Thievery Corporation foi acompanhado de lado. Uma grande banda acompanhava Rob Garza e Eric Hilton. Às 16h rolava no palco alternativo o Black Drawing Chalks, talvez a mais relevante banda stoner rock em atividade brasileira e ogo no começo do show pintou “My Favorite Way”. Paralelamente tocava no palco Butantã o Friendly Fires. Além do naipe de metais, o destaque natural da banda é o vocalista sempre empolgado Ed Macfarlane. Às 18h, sob um céu de trovoadas (mas chuva fraca) a veterana Garage Fuzz fez a felicidade de muitos tiozinhos no palco alternativo. A plateia era numerosa e boa parte tinha visível afinidade com o grupo e cantava os refrões melódicos com avidez.
Em seguida, no palco Cidade Jardim, o Foster the People fez um show impressionante. Com a óbvia exceção dos Foo Fighters (e talvez do Skrillex, não posso dizer por não ter visto o show), foi a banda que mais incendiou o pessoal. Logo na primeira canção (“Houdini”) já se notava presentes cantando a plenos pulmões e vibrando. O pop do grupo californiano já atinge muita gente, mas não há limites para onde a popularidade da banda pode chegar. Foi essa a impressão que tive na bateria de canções finais do grupo, mais especificamente “Call It What You Want”, “Don’t Stop (Color on the Walls), “Helena Beat” e “Pumped Up Kicks”, espertamente guardada para uma versão estendida como última canção. Uma apresentação ridiculamente dançante, cativante e envolvente.
Fechando o palco Butantã, houve o Jane’s Addiction, provável show mais técnico do festival. Em um mar de bandas relativamente jovens, Perry Farrel e cia. esbanjavam experiência, showmanship e carisma. Perry dizia estar muito satisfeito em ver o bom resultado de seu festival no Brasil e dizia pequenas frases antes de suas canções, como a de que estava se divertindo muito “Just Because” e também de que precisaria ir para sua casa por “Been Caught Stealing”. Vimos um pedaço do show e rumamos até a tenda Perry’s para tentar pegar um pedaço dos Racionais MC’s, mas um enorme atraso ocorreu. O grupo só deu as caras quase uma hora depois do horário previsto (o único atraso do grande número de shows do fim de semana, frise-se) e nessa hora já estávamos longe, vendo os Arctic Monkeys, que como headliners do segundo dia, fizeram um bom show de rock. Meu primeiro encontro com a banda não foi muito completamente satisfatório na verdade: estava doente no dia e assisti o show de longe e sem muito ânimo. A performance teve méritos, mas não consegui curtir em função da gripe lazarenta que tinha no dia. Já esse segundo show da banda que vi foi bastante diferente. Mesmo tendo passado todo o dia em pé pelas dependências do Jóquei , ainda restava energia para pular e cantar os refrões do quarteto de Sheffield. A banda passa por um interessante processo de amadurecimento, mas paralelamente entende sua vocação roqueira e a realiza muito bem em cima do palco. É que fica claro em pedradas como “Brianstorm” e “When the Sun Goes Down”. As baladas e canções mais melódicas também arrancam suspiros da plateia, como “Do Me a Favour” e “Fluorescent Adolescente”, momento mais festejado do show. Uma divertida conclusão para um fim de semana que teve erros (logísticos da produção do festival e de sua integração com a prefeitura da cidade de São Paulo) e acertos (a curadoria musical). Até 2013.
Top 5 shows Lolla Brasil 2012
1. Band of Horses
2. Foo Fighters / TV on the Radio
4. Foster the People
5. Arctic Monkeys
8 Expectativas para o Lollapalooza no Brasil
2012/04/05
Band of Horses
Desde o lançamento de seu debut em 2006, tenho enorme afeição pela banda. O show deve ter seu repertório nos dois primeiros excelentes álbuns da banda (Everything all the Time e Cease to Begin), além de um cover (“Am I A Good Man?”, Them Two) e alguma coisa ou outra do disco mais recente (Infinite Arms, 2010), que acho bem inferior aos primeiros, mas que tem também seus momentos.
TV on the Radio
Incrível e inventiva banda. Concorre junto da Band of Horses ao título de show do festival.
Foo Fighters
A grande estrela do evento. Responsável pela maioria esmagadora do público, irá apresentar o caminhão de hits que fez ao longo de seus anos de existência. Provável show bastante divertido.
Friendly Fires
Na verdade tive uma birra com essa banda por alguns anos. Prestei mais atenção aos discos e a alguns clipes e ao vivo e mudei de opinião. Ao vivo a banda promove um disco-rock ganchudo com direito a uma seção de metais.
Foster the People
Banda bastante popular e dona de canções com refrões matadores. Deverá ganhar os fãs e não fãs.
Jane’s Addiction
Resta saber se os donos da festa poderão fazer uma apresentação tão classuda quanto o título.
Arctic Monkeys
Como headliner do segundo dia do evento, a jovem banda deve mostrar canções de seus quatro álbuns de estúdio. As canções uptempo irão causar comoção e botar fogo na noite de domingo de páscoa, mas as canções com maior afeição ao pop sessentista do último álbum são as que mais me agradam.
Thievery Corporation
Algo como um estranho entre as bandas que tocam em palcos principais do Lolla, mas o setup ao vivo da dupla, que incluí uma grande banda de apoio e vocalistas variados pode criar um prazeroso clima de jam ao ar livre na tarde de domingo.
O novo álbum e outra nova canção do Walkmen
2012/04/04
Heaven é o nome do disco que será lançado em 5 de junho pela grande banda the Walkmen. O disco terá a participação de Robin Pecknold, dos Fleet Foxes, em uma faixa. A capa:

E no vídeo abaixo, a banda dá alguns detalhe sobre sua gravação e de quebra apresenta a faixa-título ao vivo:
A banda está bastante cotada para se apresentar no Lollapalooza Chicago desse ano, logo não seria absurdo pensar que a banda poderia prestar nova visita ao Brasil no Lolla São Paulo de 2013.
O que o Starbucks te ensina
2012/04/02
No penúltimo domingo fui pela primeira vez em um das cafeterias Starbucks com o objetivo de beber café (nas vezes que fui anteriormente tinha só comido um brownie ou um muffin, ambos muito bons). O menu é bastante variado: expressos, capuccinos, frapuccinos, iced café latte e outros. Não sou muito afeito a invencionismos como esses últimos, verdadeiras misturebas que incluem gelo, essências de chocolate, granulado, baunilha e o diabo a quatro numa bebida que deve ter algo em torno de 5% de café.
Sem vontade de um tradicional expresso, resolvi tomar o “café do dia”, que na ocasião era a especialidade tipo “Cielo”. Me disseram que era um blend suave e macio. De fato a especialidade era bastante suave e levemente aguada, jeito que muitos estadunidenses insistem em beber café. Por ser preparado e coado manualmente, a bebida demora em média 10 minutos para ficar pronta. Enquanto você espera, os funcionários perguntam seu nome e o escrevem em seu copinho. São impressionantes o volume de vendas e a velocidade em que outras bebidas (os frapuccinos, ice cafés e afins) ficam prontas enquanto o tempo de espera pelo “café do dia” transcorre. Quando as pessoas recebem seus drinks inovadores, os consomem numa velocidade visualmente impactante: sugam sem parar através de canudos coloridos que perfuram montanhas de chantily, chocolate granulado, espuma de leite e , eventualmente, café.
Seria esse uma espécie de lema da companhia (“compre algo que está longe de ser café de verdade, pague caro por isso e aproveite nossas lojas confortáveis e com wifi grátis”)? Após o tempo de espera pelo “café do dia”, recebi a bebida (dona de um sabor mediano e com cerca de 220ml, generosa dose de café) e demorei bastante para consumi-la. Mesmo assim, tive uma dor de estômago moderada após seu fim. Culpa da quantidade, imagino.
Grandes momentos da internet
2012/03/28
Estou para postar isso desde muito tempo, mas só me lembrei agora:
http://es.answers.yahoo.com/question/index?qid=20091208165021AABYUFZ
Uma noite com Morrissey
2012/03/16
Quando começaram a circular rumores de shows de Morrissey no Brasil, não me animei tanto. Tinha poucas esperanças de que um show ocorresse em Belo Horizonte e devido à minha ausência temporária de renda, dificilmente conseguiria viajar até São Paulo ou Rio para um show. Os rumores iniciais cozinhavam três apresentações no Brasil: São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre. Até já me conformava com a ideia de ver videos dos shows postados algum tempo depois, mas eis que lá pelo começo de fevereiro surge a notícia de que o show de Porto Alegre foi cancelado em função de “problemas logísticos” e deu lugar a Belo Horizonte. Não vou discutir esse cancelamento aqui, há detalhes e especulações suficientes espalhados pela internet. Vibrei com o anúncio do show em Belo Horizonte.
Já na quarta-feira dia 7 de março, dia do show, o Chevrolet Hall, local escolhido pela produtora Malab, encontrava-se com boa parte da carga de ingressos vendida. Não sei se chegou a ficar soldout, mas estava bastante cheio. Como fez no México e Estados Unidos na turnê de 2011, Moz trouxe a cantora Kristeen Young para abrir seus shows. Gostaria de ter me empenhado e ouvido coisas de Young antes do show, mas acabei não fazendo isso. Sua performance durou em torno de 30 minutos e durante esse tempo a cantora alternou entre um teclado e bases pré-gravadas que iam sendo liberadas aos poucos.
Logo após o show de abertura, uma série de vídeos escolhidos por Morrissey é transmitida em um telão. É uma seleção musical bastante afiada que passeia por nomes como Brigitte Bardot, Nico, New York Dolls e outros mais. Quando o telão cai e Morrissey acompanhado de sua banda adentram o palco, a primeira coisa que se ouve do microfone principal é um “Olá BH” com um sotaque carregado. A banda, cujos integrantes tragam uma camisetas com os dizeres “Assad is Shit” em contraponto à vistosa camisa de seda branca de Morrissey, inicia os trabalhos e surgem os primeiros acordes de “First Of The Gang To Die”. As primeiras escolhas do repertório transitam pelos discos solo do cantor e é só lá na sexta canção que aparece algo dos Smiths, “Still Ill”. Grandes hits solos como ”First of the Gang to Die”, “Alma Matters” e “Everyday Day Is Like Sunday” arrancam gritos e vibrações da plateia, mas nada tem a mesma recepção apoteótica das seis canções dos Smiths apresentadas (além da já citada “Still Ill”, “Meat Is Murder”, “I Know It’s Over” numa excelente versão, “There Is a Light that Never Goes Out”, “Please, Please, Please Let Me Get What I Want” e “How Soon is Now?”). Quando algo da antiga banda era reconhecido, a plateia urrava, dava goles de cerveja e se abraçava. Houve momentos em que pessoas choravam, brigavam por um pedaço de uma camisa usada pelo ídolo atirada na plateia e ainda juravam amor a Morrissey. Tudo isso era observado e retribuído: Moz repete várias vezes que seus fãs o fazem extremamente feliz, pede para que eles não o esqueçam e diz que os ama.
Sempre tive uma birra muito grande ao ouvir artistas dizendo “te amo” para seus fãs, plateias ou similar, mas de uns anos para cá isso mudou. Vi um show do Okkervil River (uma de minhas bandas favoritas já há bons anos) em 2006 em que lá pelo segundo bis da noite, Will Sheff, vocalista e líder da trupe, expressou enorme gratidão e disse “eu te amo” a plateia. Talvez em função do que sinto pela banda e pela sinceridade e honestidade de Sheff em suas composições, a declaração me pareceu sincera. No show de Morrissey, a mesma declaração também não me pareceu forçada ou mise en scène. Para um cara que diz não fazer performance e é tão coerente com suas opiniões sociais e políticas, é difícil discordar de uma frase tão forte.
Tecnicamente, o show seria impecável se o som do Chevrolet Hall estivesse tinindo. Da parte da competência da banda (elegantemente liderada pelo guitarrista e parceiro de longa data Boz Boorer) e da limpidez da voz de Moz, tudo correu de forma excelente. O cantor costuma dizer que tocar ao vivo é uma “disgusting glory” e isso pode ser justificado pelo contraste das projeções de execuções de animais transmitidas durante “Meat Is Murder” com a virtude que a canção é interpretada. Em suma, uma beleza de show. As fotos que seguem foram publicadas na página institucional do Chevrolet Hall.



Mixed Emotions
2012/03/05
O duo Tanlines é uma das bandas surgidas ao final da década de 2000 que mais me agradam. Surgido em 2008, lançou seu primeiro single neste mesmo ano (“New Flowers”), um excelente EP em 2010 (Settings) e ainda uma coletânea que incluiu o mesmo Settings, singles e remixes também em 2010. Paralelamente houve um bom número de apresentações do Tanlines, sendo que algumas chegaram a passar pelo Brasil em novembro de 2010.
2011 foi um ano de ensaios e gravações para a banda, fato que culminou no primeiro disco, batizado de Mixed Emotions. O álbum, disponível agora em stream pela NPR, mostra um belo panorama de tudo por que Eric Emm e Jesse Cohen passaram nos últimos anos. Musicalmente, Mixed Emotions expande a instrumentação das primeiras composições da banda, tão pautadas por batidas de house da década de 1980 e do início da de 1990, sintetizadores e o vocal e guitarra afrobeat tão característicos de Emm. Essa sonoridade está firme em algumas composições (“All of Me”, “Abby”, “Brothers”), mas sons mais orgânicos também estão presentes, caso da marcante percussão em “Nonesuch” e “Rain Delay”, que conta ainda com um baixão melódico.
Se no EP Settings havia um bom número de composições instrumentais, todas as canções de Mixed Emotions tem vocais. A temática lírica é por vezes reflexiva e passeia por assuntos que vão do passagem do tempo e amadurecimento (“Not the Same”, “Real Life”, sendo que essa última é uma reprise do EP Settings) a relações interpessoais e sonhos deixados para trás.
O álbum funciona muito bem e ainda que não traga mudanças radicais em relação ao som que tornou a banda conhecida em alguns círculos específicos e ganhasse fãs, é o emblema do profissionalismo de Eric Emm e Jesse Cohen.
Pitchfork Music Festival 2012
2012/02/29
Em 2005 o influente portal Pitchfork (então conhecido como Pitchfork Media) foi responsável pela curadoria de um festival chamado Intonation, realizado em julho, no alto verão de Chicago. No ano seguinte, o Intonation passou a se chamar Pitchfork Music Festival e desde então acontece anualmente. Em comparação a alguns dos colossais festivais de música do hemisfério norte (Glastonbury, Reading, Coachella, Lollapalooza, Roskilde…), o Pitchfork tem um porte bastante reduzido, além de um volume menor de patrocínio de marcas globais. Não obstante, a curadoria do evento faz um trabalho muito interessante em mesclar titãs do indie rock, bandas com pouco tempo de estrada, rappers com carreiras consagradas e artistas de viés experimental. Alguns dos principais nomes que passaram por lá: Jarvis Cocker, Os Mutantes, Flaming Lips, Big Boi, Ghostface Killa, Dizzee Rascal, Sonic Youth, CSS, Yoko Ono… Enfim, artistas que tem afinidade (e são aclamados) com o que o portal cobre.
Ainda não consegui me organizar/ levantar fundos para ir até a uma edição do festival, mas espero poder fazer isso em 2013.
Tudo isso para dizer que na edição de 2012, anunciada ontem, Vampire Weekend, Feist e Godspeed You! Black Emperor surgem como atrações principais. Imagino que o Vampire Weekend, que anda sumido dos palcos desde a turnê na América do Sul do início de 2011, deva apresentar uma série de novas composições e fazer seu habitual grande show. E aos que não podem comparecer ao festival, tudo é transmitido ao vivo por um webcast e alguns momentos são liberados posteriormente na página de vídeos do portal.








